MED junta-se a outras cinco unidades de investigação na defesa das ciências agroalimentares como prioridade estratégica nacional

Jul 14, 2026Destaques, Notícias

Position Paper subscrito por seis unidades de investigação nacionais e artigo de opinião publicado no jornal PÚBLICO alertam para a necessidade de integrar as ciências agrárias, agroflorestais e agroalimentares nas prioridades nacionais de investigação e inovação.

Num momento em que Portugal se prepara para definir os fatores que orientarão o investimento público em ciência e inovação nos próximos anos, o MED junta-se a outras cinco unidades de investigação nacionais na defesa das ciências agrárias, agroflorestais e agroalimentares como um domínio estratégico para o país.

Esta posição encontra-se sistematizada no Position Paper “Alimentar Portugal — Ciência e Inovação como Pilares da Segurança e Soberania Nacional”, subscrito por representantes do MED, CIMO, CITAB, GreenUPorto, LEAF e Green-it. O documento sublinha que a capacidade de produzir e abastecer alimentos em quantidade e qualidade adequadas constitui uma dimensão fundamental da soberania nacional e da resiliência do país perante crises geopolíticas, alterações climáticas, disrupções logísticas e novas ameaças biológicas.

As principais ideias desta tomada de posição foram também apresentadas ao debate público através do artigo de opinião “Investir em ciência agroalimentar é garantir a segurança alimentar de Portugal”, publicado hoje, dia 14 de julho, no jornal PÚBLICO. O artigo é assinado por Fátima Baptista, diretora do MED, José Alberto Pereira, João Andrade Santos, Ruth Pereira, David Fangueiro e Margarida Oliveira.

Os autores defendem que assumir as ciências agroalimentares como infraestrutura crítica nacional não corresponde a uma reivindicação exclusivamente académica ou setorial, mas a uma opção estratégica para a segurança do país. A investigação realizada em condições reais de campo é essencial para desenvolver culturas mais resilientes, melhorar a utilização da água e dos nutrientes, proteger plantas e animais, conservar a biodiversidade e os recursos naturais e apoiar produtores e decisores políticos com evidência científica adequada à realidade portuguesa.

O Position Paper apresenta dez recomendações, entre as quais a criação de um programa plurianual de financiamento para investigação agroflorestal e agroalimentar, o reforço e estabilização das carreiras científicas, o desenvolvimento de um programa nacional de biotecnologia agrícola e florestal e a consolidação de infraestruturas e redes de experimentação de longo prazo. O documento propõe ainda uma rede nacional de monitorização dos solos, maior coordenação entre diferentes áreas governativas, reforço da transferência de conhecimento e promoção da renovação geracional.

A iniciativa chama igualmente a atenção para a necessidade de ligar ciência, produção e território. Os agricultores enfrentam simultaneamente pressões climáticas, biológicas, económicas e regulatórias, pelo que as respostas exigem abordagens integradas, instrumentos de experimentação continuada e políticas públicas baseadas em conhecimento científico robusto.

Leia o Position Paper “Alimentar Portugal — Ciência e Inovação como Pilares da Segurança e Soberania Nacional” disponível aqui.

Leia no PÚBLICO o artigo de opinião “Investir em ciência agroalimentar é garantir a segurança alimentar de Portugal” aqui.